30.1.10
O carro...correndo.
Como sempre fui o menor da familia, como sempre gostava de escutar as conversas dos adultos, como gostava de esportes que meus colegas nao gostavam (vela, squash, golfe,...), sempre me achei o jovem do pedaço. Entrei cedo na faculdade, 17 anos, nem sabia dirigir, não bebia, não fumava, nem tinha namorada de verdade. Sempre me achei o mais novo onde estava.
Há dois anos sutilmente me surpreendi com algumas ações minhas.... Entre elas as duas abaixo
O Carro
Exceto um Honda Civic, nunca tive um carro novo. E o Civic comprei porque é famoso de durar muitos anos sem dar problema. Mas quando vi que a gasolina subiu muito há dois anos, pensei: ou tenho um carro bom agora, ou talvez nunca mais... Além disso no Brasil carro bom custa uma fortuna, e carro novo nem pensar.Viramos alvo de criminosos e acho muito snob.
Sempre achei carro novo perda de dinheiro, pois desvaloriza muito. E ultimamente só tenho comprado carro japonês usado pois nunca da problema. Subaru, Toyota, Honda todos uma maravilha e só foram vendidos quando me mudava do país.
Depois de muita pesquisa fui na concessionária para dar uma volta no carro, para ver se o que eu estava lendo nos sites de automóveis era verdade. Cheguei lá e cai na conversa do vendedor. Comprei um carrão, mas não era novo não, era carro de demonstração da concessionaria. Já tinha uns 3000km e consegui um belo desconto por isso (mas cheirava como novo). Não só comprei o carro que buscava, mas um modelo equipado dos pés a cabeça. O vendedor, um tipo arabe que nasceu para a profissão, ficou feliz e cheio de si. Quando escrevi o cheque tive uns minutos de arrependimento, pois por 20% a menos dava para comprar um Honda ou Toyota zero, novo.
Quando cheguei em casa minha esposa foi só elogios, mas tinha uma ponta de duvida no sorriso.
O resultado foi que pela primeira vez na vida gosto de dirigir. As estradas secundárias por aqui sao deliciosas, sem buracos, bonitas. E mudam de cor com as estacoes. Sempre que estou em casa levo meu filho na escola. Por ele e...pelo prazer de pegar um caminho bonito com o carro gostoso. E nem vou rápido, pois não sou burro nem louco. Apenas aproveito a viagem.
Não me entendam mal, ainda sou fã de carro japonês e me dói no bolsa gastar com coisas fúteis com carros, que deveriam ser apenas um meio de transporte. Mas um bom carro Alemão é que da gosto de dirigir. O resto é conversa.
Correndo
Há dois anos fui ver a Maratona de Boston. Levei umas moças turcas que estavam fazendo intercâmbio, e como era feriado na escola, o Ian veio junto. Eu nunca tinha visto uma maratona, exceto quando trabalhava no Carrefour que fui obrigado a ajudar numa prova e fiquei horas de pé perto de um parque e nem vi direito os corredores paasrem.
Depois de 1 hora esperando e tentando distrair meu filho vieram os lideres, a maioria africanos. Eu estava no km 15, mas para mim eles corriam como se estivessem nos 400m rasos. E aí vieram os outors 30mil corredores, que pareciam tartarugas comparados aos professionais. Quando estava voltando ao carro o Ian (5 anos) me fez uma pergunta que nunca vou esquecer:
“Papai, para onde todos estes estão correndo?”
“Para Boston filho”
“Mas Boston fica muito longe daqui”
“Sim filho, mas estes corredores treinam muito e conseguem chegar até lá. Alguns chegam em 2 horas e pouco, outros em 4 horas e tem uns que demoram até 7 horas.”
“Papai, isto não dá, é muito longe”
“Filho, se alguém treinar bastante pode correr uma maratona um dia, qualquer um que se dedica e treina pode. Você não viu que tinha gene até de cadeira de rodas”
“Papai, não acredito nisso E você nunca conseguiria correr daqui até Boston. Isso é impossível.”
“Não diga isso filho.”
E a conversa ficou por aí. Fiquei pensando. Nos próximos dias comprei um livro de como treinar para uma maratona e umas duas semanas depois falei para o Ian: "Filho, no ano que em vou correr a maratona de Boston. Para você ver que com forã de vontade podes fazer qualquer coisa."
E não é que corri a bendita. De fio a pavio. Ta certo me arrastei alguns kilometros, mas isso fica para outra história
Escrevi estas duas anedotas sem nenhuma pretensão de me gabar, na verdade o que me inspirou foi algo muito diferente, o oposto. Sabem o que as duas histórias tem e comum?
Percebi que não sou mais o mais novo, já estou chegando aos 40.
Quando estava treinando para a maratona foi a primeira vez que senti dor nas costas. E na verdade corri a maratona para provar que eu conseguia, para meu filho e para mim mesmo. Comprei o carro e quando fui almoçar com os colegas do trabalho levei uma menina de carona. Ela falou: “Que carrão lindo, posso dirigir?”. Definitiva percebi que já estou em outra fase.
Resumindo, estou chegando aos 40 e não sou mais o mais novo do pedaço. Mas ainda me dou ao luxo de me sentir o mais novo.
Há dois anos sutilmente me surpreendi com algumas ações minhas.... Entre elas as duas abaixo
O Carro
Exceto um Honda Civic, nunca tive um carro novo. E o Civic comprei porque é famoso de durar muitos anos sem dar problema. Mas quando vi que a gasolina subiu muito há dois anos, pensei: ou tenho um carro bom agora, ou talvez nunca mais... Além disso no Brasil carro bom custa uma fortuna, e carro novo nem pensar.Viramos alvo de criminosos e acho muito snob.
Sempre achei carro novo perda de dinheiro, pois desvaloriza muito. E ultimamente só tenho comprado carro japonês usado pois nunca da problema. Subaru, Toyota, Honda todos uma maravilha e só foram vendidos quando me mudava do país.
Depois de muita pesquisa fui na concessionária para dar uma volta no carro, para ver se o que eu estava lendo nos sites de automóveis era verdade. Cheguei lá e cai na conversa do vendedor. Comprei um carrão, mas não era novo não, era carro de demonstração da concessionaria. Já tinha uns 3000km e consegui um belo desconto por isso (mas cheirava como novo). Não só comprei o carro que buscava, mas um modelo equipado dos pés a cabeça. O vendedor, um tipo arabe que nasceu para a profissão, ficou feliz e cheio de si. Quando escrevi o cheque tive uns minutos de arrependimento, pois por 20% a menos dava para comprar um Honda ou Toyota zero, novo.
Quando cheguei em casa minha esposa foi só elogios, mas tinha uma ponta de duvida no sorriso.
O resultado foi que pela primeira vez na vida gosto de dirigir. As estradas secundárias por aqui sao deliciosas, sem buracos, bonitas. E mudam de cor com as estacoes. Sempre que estou em casa levo meu filho na escola. Por ele e...pelo prazer de pegar um caminho bonito com o carro gostoso. E nem vou rápido, pois não sou burro nem louco. Apenas aproveito a viagem.
Não me entendam mal, ainda sou fã de carro japonês e me dói no bolsa gastar com coisas fúteis com carros, que deveriam ser apenas um meio de transporte. Mas um bom carro Alemão é que da gosto de dirigir. O resto é conversa.
Correndo
Há dois anos fui ver a Maratona de Boston. Levei umas moças turcas que estavam fazendo intercâmbio, e como era feriado na escola, o Ian veio junto. Eu nunca tinha visto uma maratona, exceto quando trabalhava no Carrefour que fui obrigado a ajudar numa prova e fiquei horas de pé perto de um parque e nem vi direito os corredores paasrem.
Depois de 1 hora esperando e tentando distrair meu filho vieram os lideres, a maioria africanos. Eu estava no km 15, mas para mim eles corriam como se estivessem nos 400m rasos. E aí vieram os outors 30mil corredores, que pareciam tartarugas comparados aos professionais. Quando estava voltando ao carro o Ian (5 anos) me fez uma pergunta que nunca vou esquecer:
“Papai, para onde todos estes estão correndo?”
“Para Boston filho”
“Mas Boston fica muito longe daqui”
“Sim filho, mas estes corredores treinam muito e conseguem chegar até lá. Alguns chegam em 2 horas e pouco, outros em 4 horas e tem uns que demoram até 7 horas.”
“Papai, isto não dá, é muito longe”
“Filho, se alguém treinar bastante pode correr uma maratona um dia, qualquer um que se dedica e treina pode. Você não viu que tinha gene até de cadeira de rodas”
“Papai, não acredito nisso E você nunca conseguiria correr daqui até Boston. Isso é impossível.”
“Não diga isso filho.”
E a conversa ficou por aí. Fiquei pensando. Nos próximos dias comprei um livro de como treinar para uma maratona e umas duas semanas depois falei para o Ian: "Filho, no ano que em vou correr a maratona de Boston. Para você ver que com forã de vontade podes fazer qualquer coisa."
E não é que corri a bendita. De fio a pavio. Ta certo me arrastei alguns kilometros, mas isso fica para outra história
Escrevi estas duas anedotas sem nenhuma pretensão de me gabar, na verdade o que me inspirou foi algo muito diferente, o oposto. Sabem o que as duas histórias tem e comum?
Percebi que não sou mais o mais novo, já estou chegando aos 40.
Quando estava treinando para a maratona foi a primeira vez que senti dor nas costas. E na verdade corri a maratona para provar que eu conseguia, para meu filho e para mim mesmo. Comprei o carro e quando fui almoçar com os colegas do trabalho levei uma menina de carona. Ela falou: “Que carrão lindo, posso dirigir?”. Definitiva percebi que já estou em outra fase.
Resumindo, estou chegando aos 40 e não sou mais o mais novo do pedaço. Mas ainda me dou ao luxo de me sentir o mais novo.