1.10.10

 

Reflexões de um pseudo agricolão paulistano chegando nos 40


Pois é, neste mês completo quarenta. E faz alguns meses comecei a sentir uma coceira cerebral (!) recordando que, teoricamente, já não sou mais um moleque. Comecei a refletir sobre o tema pois na família, na escola, e no trabalho, eu sempre era o mais novo quando olhava para os lados.
Graças a um mentor que tive no passado, há muito tempo me dei conta que a idade não e´ linear, mas psicológica. Há pessoas de 50 anos que tem mais energia, motivação e inspiração que muitos universitários.

Aqui seguem algumas idéias sobre minha chegada aos 40...

Percebi que no esporte, corro menos que a garotada, mas mesmo assim consigo ganhar de alguns, pois não faço tanta besteira.
Notei que ao jogar dois ou três dias seguidos começa a doer tudo no corpo. Isso não acontecia antes. Agora entendo meu irmão maior (12 anos a mais), que sempre fez miséria de mim na quadra, mas reclamava de uma dorzinha aqui e outra ali.
Em reuniões no trabalho falo menos, escuto um pouco mais. E quando falo muito, posteriormente chego a conclusão que deveria haver mantido a boca fechada.

Vejo nos meus filhos atitudes idênticas as de quando eu era criança. O mais velho, de sete anos, parece uma cópia xerox de mim. E me dou conta de como eu era na infancia: gostava de cantarolar sozinho, facilmente desisitia de algo após o início, morria de medo de entrar no chuveiro frio, sempre queria ter a última palavra, ficava enfiando o dedo no nariz (a sinceridade dói, mas não deve ser evitada!), gostava de escutar conversa de adultos, era metido a cientista amador de meia tigela... Pelo menos meu filho parece ter um QI bem melhor que o meu (nada muito difícil). Já minha filha mais nova, puxou a mãe e, que não me leve a mal, mais alguém bem longínquo da família – com o gênio que tem, não sabemos quem herdou. Juro que eu não era assim apesar de denúncias dos meus irmãos, primos e cia. Mas isso é conversa para outro dia.

Neste verão viajei muito, muito mesmo. E nos aviões me deparei com muitos jovens de colegial ou faculdade viajando. Quando escuto o que estão conversando, não entendo do que tanto riem.
Quando vejo as franguinhas passando acho suas roupas um pouco estranhas. Não vulgares, mas simplesmente estranhas. (Às feministas , um aviso: olhar nunca arrancou pedaço, só não vale morder!). Quando viajo, as quarentonas as vezes ficam olhando para ver se já estou 100% careca. Mas as gatinhas de verdade: ... nem isso!
Comprei um carro de elegante: alemão, como nunca imaginava ter. Antigamente achava isso dinheiro jogado fora (falava-se que era carro de “boy”). Ainda acho, mas que é uma delícia dirigir, não tem dúvida.
Comprei uma casa grande. Grande demais. Não sei ainda exatamente porque, mas a esposa e os filhos estão felizes da vida.

Comecei a correr e até completei uma maratona (obviamente terminei no mesmo tempo que os velhinhos, as madames e a turma que tem problemas físicos, mas completei). Até uns meses atrás nunca tinha corrido mais de 20 minutos sem parar. E não é por falta de fazer esporte. Mas sempre considerei correr um esporte para quem não sabe fazer outra coisa. Mas correndo conheço o lugar que moro e as pessoas do bairro (ao invés de apenas passar rapidamente de carro), posso sair na hora que quiser, e, principalmente, consigo escutar no iPod as músicas que gosto sem ninguém reclamar que o volume está muito alto. Este verão fiz dois triathlons, e é muito mais gostoso que apenas correr.

Estou feliz em completar quarenta anos. Aprecio mais o que tenho, inha familia, esposa, as pessoas que conheci e os lugares que visito. Tenho a sorte de ter saúde, oportunidade de uma boa formação e um trabalho que reclamo, mas gosto.
Aproveitei bastante e ainda tenho muuuito o que aproveitar. Acho que quando chegamos aos quarenta ficamos meio nostálgicos, mas temos mais cabeça, grana e oportunidades para fazermos o que gostamos.

Na realidade, ainda me sinto um moleque de 20 anos. No trabalho, nas atitudes, nos comentários indevidos, na vontade de conhecer o mundo e na atração de fazer coisas novas.

As vezes paro para refletir que meus pais tinham um pouco mais de quarenta quando eu nasci, sera que eram psicologicamnete mais velhos do que eu: Creio que sim, ticeram uma juventude mais difícil. Será que meus filhos pensam que sou um velho, garotão, superhomem, ou ranzinza?
Espero continuar sendo um moleque por no mínimo mais 40 anos!

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