31.5.05

 

Teorias de voo para viajantes




Já virou esporte falar mal das companhias aéreas. Imagino que todos que viajam tem histórias escabrosas de quando perdeu um voo. Ou quando o avião não decolou e foi necessario passar uma noite esperando a próxima partida e no final as malas não apareceram. E tem aqueles que contam as desventuras aéreas para realçar o status, como quando comprou passagens de primeira classe e no final foram “obrigados” a voar de econômica (e ainda usam aquelas descrições mais óbvias como “misery class”, “lata de sardinha”,...).
Porém imagino que muitos esquecem das transformações das viagens aéreas nos últimos tempos.
Me lembro dos anos 70 quando ir para a Europa custava US$1.800. Quanto custa hoje? Uns US$1.300. O único detalhe é que devido a inflação, que os que pensam em dólar sempre esquecem, os 1.800 dos anos 70 devem ser equivalentes a uns 3.500 nos dias de hoje.
Ou seja, como esperar o mesmo pagando um terço: Bem, a tecnologia e eficiência dos aviões deve ter evoluido, mas os maior custo neste caso são: o financiamento dos aviões, combustível, salário dos pilotos e talvez taxas de pouso/decolagem. Nada disso deve ter baixado de preco. E milagre não existe.
Falando em milagre quase imaginei que isso existia para passagens aéreas. Estava em Bruxelas estudando francês (sim por alguns meses eu falava francês... com relativo desembaraço, mas já estou esquecendo por falta de prática) quando a Sabena (a Varig da Bélgica) oferecia passagens para Nova York ida e volta por 199 Euros! Enquanto isso os sindicatos queriam garantias de manter os gordos beneficios e as dívidas da Sabena aumentavam. Resultado: 4 meses depois a empresa quebrou, e governo deixou quebrar pois já havia avisado aos sindicatos que não iria tapar o buraco. Detalhe importante: as propagandas de passagens baratas tinham muitas letras miudas. Ali dizia que as tarifas promocionais eram válidas para bilhetes comprados com 6 meses de antecipação. Quem comprou ficou com o bilhete na mão.....
Aliás, eu ainda não entendi o negócio das cias aéreas. Os aviões custam uma fortuna, só existem um ou dois fornecedores – a cia aérea não tem poder de barganha. O preço combustível oscila mais que iô-iô – a cia aérea não tem poder de barganha. Os sindicatos fazem greves por melhores beneficios pois sabem que cada dia parados significa milhões perdidos pelos acionistas – a cia aérea não tem poder de barganha. Os aeroportos... – a cia aérea não tem poder de barganha. Ah, e a cada x anos surge uma cia nova com novos aviões que no início são mais cômodos que os atuais e os passageiros sempre querem viajar com aviões novos. Para mim tem que ser muito louco para colocar dinheiro neste negócio.
Minha idéia para melhorar as viagens é um pouco calavérica. Parece tão boa que teve um dia que até sonhei com ela. Pelo menos seria válida para vôos com mais de 6 horas (pelo menos para os que vao de “misery class”). Imaginem chegar ao aeroporto, fazer o check-in. Em seguida todos passageiros tomam uma pílula de sono e se acomoda em uma cama. Já em sono profundo, as camas são colocadas no avião como em uma sala de necropsia com grandes gavetas aço. A pílula de sono também controlaria a vontade de ir ao banheiro ja que os passageiros não conseguiriam sair da cama. Ao chegar ao destino, em uma sala de desembarque, todos seriam despertados com um gas que estaria no ambiente.
Neste caso seria bom para todos. As cias aéreas poderiam colocar mais passageiro por avião. Os viajantes teriam viagens agradáveis: apenas se deitam, dormem e despertam no destino.
Até imagino o slogan da propaganda: Sinta-se como um faraó e desperte no destino sem perceber que o tempo passou. E toda campanha seria ilustrada com imagens do sarcófago de Tutankamon!
E alguns ainda acham que pagam pouco...

Posted by Hello
Comments:
que viagem, hein, meu amigo!
me fez rir de ter l'agrimas nos olhos!
 
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